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Pope St Paul VI's Apostolic Visit to Portugal

13th May 1967

Papa Santo Paolo VI came to Portugal as a pilgrim to Fatima on the 50th anniversary of Our Lady's first apparition to the three shepherd children.

After being welcomed to Portugal by the President, Pope St Paul VI celebrated Mass in the Basilica of Our Lady of Fatima. Papa San Paulo VI then met with the Diplomatic Corps accredited to Portugal. This was followed by meetings with representatives of non-Catholic Christian communities, with members of the Portuguese Episcopate & with representatives of the Portuguese Catholic laity, before bidding a fond farewell to Portugal.

Papa Santo Paulo VI's Speech to the President of Portugal
Welcome Ceremony, Terra de Santa Maria, Saturday 13 May 1967 - in Portuguese

"Senhor Presidente da República,
Agradecemos sensibilizado a atenciosa delicadeza de Vossa Excelência por Nos ter vindo receber pessoalmente à Nossa chegada. Agradecemos igualmente as palavras cordiais de boas-vindas que Vossa Excelência acaba de proferir.

É com a maior satisfação que pisamos o solo português. Desta abençoada «Terra de Santa Maria» partiu, no passado, para as regiões mais remotas do mundo, uma generosa plêiade de arautos do Evangelho. Para ela conflui, no presente, de toda a parte, uma piedosa multidão de peregrinos.

Nós também viemos como peregrino. É Nosso ardente desejo render homenagem filial à excelsa Mãe de Deus, na Cova de Iria. Para lá encaminharemos agora os Nossos passos, com espírito de oração e de penitência, para suplicar a Nossa Senhora de Fátima que faça reinar na Igreja e no mundo o inestimável bem da paz.

A Nossa solicitude pastoral, como sabe Vossa Excelência, leva-Nos, neste particular momento da história da Igreja e da humanidade, a envidar todos os Nossos esforços para a consecução de duas finalidades da mais transcendental importância.

A primeira diz respeito à vida interna da própria Igreja. A segunda refere-se ao contributo de amor pelos homens que ela quer dar no dia de hoje ao mundo em que vive.

E, como estas duas intenções são o objecto da Nossa mais viva preocupação, iremos a Fátima, com a humildade e o fervor do peregrino que empreende uma longa viagem, para confiá-las Aquela que a Igreja e o Povo cristão invocam sob o doce nome de Mãe.

Ao iniciar, pois, este Nosso itinerário de fé em terras portuguesas, desejamos dirigir uma cordial saudação a Vossa Excelência, Senhor Presidente da República e às distintas Autoridades presentes, ao Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa e aos membros todos do Episcopado, bem como ao Clero, aos Religiosos e Religiosas e a todo o Povo desta fidelíssima Nação.

Nossa Senhora de Fátima se digne derramar sobre Portugal católico as mais copiosas graças de bem-estar espiritual e material, de prosperidade, de progresso e de paz."

St Paul VI's homily at Holy Mass at the Basilica of Our Lady of Fatima
Saturday 13 May 1967 - in Italian & Portuguese

"Veneráveis Irmãos e dilectos Filhos,
Tão grande é o Nosso desejo de honrar a Santíssima Virgem Maria, Mãe de Cristo e, por isso, Mãe de Deus e Mãe nossa, tão grande é a Nossa confiança na sua benevolência para com a santa Igreja e para com a Nossa missão apostólica, tão grande é a Nossa necessidade da sua intercessão junto de Cristo, seu divino Filho, que viemos, peregrino humilde e confinante, a este Santuário bendito, onde se celebra hoje o cinquentenário das aparições de Fátima e onde se comemora hoje o vigésimo quinto aniversário da consagração do mundo ao Coração Imaculado de Maria.

É com alegria que Nos encontramos convosco, Irmãos e Filhos caríssimos, e que vos associamos à profissão da Nossa devoção a Maria Santíssima e à Nossa oração, a fim de que seja mais manifesta e mais filial a comum veneração e mais aceite a Nossa invocação . Nós vos saudamos, Irmãos e Filhos aqui presentes, a vós especialmente cidadãos desta ilustre Nação que, na sua longa história, deu à Igreja homens santos e grandes, e um povo trabalhador e piedoso; a vós peregrinos, que viestes de perto e também de longe; e a vós fieis da santa Igreja católica que, de Roma, das vossas terras e das vossas casas, espalhados por todo o mundo, estais agora espiritualmente voltados para este altar. A todos, a todos vós Nós saudamos. Estamos agora a celebrar, convosco e para vós, a santa Missa e, todos juntos, estamos reunidos, como filhos de una família única, perto da Mãe celeste, para sermos admitidos, durante a celebração do santo Sacrifício a uma comunhão mais estreita e salutar com Cristo, nosso Senhor e nosso Salvador.

Não queremos excluir ninguém desta recordação espiritual, porque é vontade Nossa que todos participem das graças que estamos agora a impetrar do céu. Todos vós tendes um lugar no Nosso coração: vós, Irmãos no Episcopado; vós, Sacerdotes e vós, Religiosos e Religiosas, que, com amor total, vos consagrastes a Cristo; vós, Famílias cristãs; vós, Leigos caríssimos, que desejais colaborar com o Clero na propagação do reino de Deus; vós, jovens e crianças, que desejaríamos que estivesseis todos à nossa volta; e todos vós que vos sentis atribulados e cansados, vós que sofreis e chorais, e que, certamente, vos recordais como Cristo vos chama para perto de si, a fim de vos associar à sua paixão redentora e vos consolar.

O Nosso olhar abrange ainda todos os cristãos não católicos, mas irmãos nossos ao baptismo; mencionamo-los com esperança de perfeita comunhão nessa unidade que o Senhor Jesus deseja. E o Nosso olhar abraça o mundo todo: não queremos que a Nossa caridade tenha fronteiras e, neste momento, estendemo-la à humanidade inteira, a todos os Governantes e a todos os Povos da terra. Vós sabeis quais são as Nossas intenções especiais que desejamos caracterizem esta peregrinação. Vamos recordá-las aqui, a fim de que inspirem a Nossa oração e sejam luz para todos aqueles que Nos ouvem.

A primeira intenção é a Igreja: a Igreja una, santa, católica e apostólica. Queremos rezar, como dissemos, pela sua paz interior. O concílio Ecuménico despertou muitas energias no seio da Igreja, abriu perspectivas mais largas no campo da sua doutrina, chamou todos os seus filhos a uma consciência mais clara, a uma colaboração mais íntima, a um apostolado mais activo. Queremos firmemente que tão grande benefício e tão profunda renovação se conservem e se tornem ainda maiores. Que mal seria, se uma interpretação arbitrária e não autorizada pelo magistério da Igreja transformasse este renascimento espiritual numa inquietação que desagregasse a sua estrutura tradicional e constitucional, que substituísse a teologia dos verdadeiros e grandes mestres por ideologias novas e particulares que visam a eliminar da norma da fé tudo aquilo que o pensamento moderno, muitas vezes falto de luz racional, não compreende e não aceita, e que mudasse a ânsia apostólica de caridade redentora na aquiescência às formas negativas da mentalidade profana e dos costumes mundanos. Que desilusão causaria o nosso esforço de aproximação universal, se não oferecesse aos Irmãos cristãos, ainda de nós separados, e aos homens que não possuem a nossa fé, na sua sincera autenticidade e na sua original beleza, o património de verdade e de caridade, de que a Igreja é depositária e distribuidora?

Queremos pedir a Maria uma Igreja viva, uma Igreja verdadeira, uma Igreja unida, uma Igreja santa. É vontade Nossa rezar convosco a fim de que as esperanças e energias suscitadas pelo Concílio, possam trazer-nos em larguíssima escala os frutos daquele Espírito Santo, que a Igreja amanhã celebra na festa de Pentecostes e do qual provém a verdadeira vida cristã; esses frutos enumerados pelo Apóstolo Paulo: « caridade, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e temperança » (Gál. 5, 22). É vontade Nossa rezar a fim de que o culto de Deus hoje e sempre conserve a sua prioridade no mundo, e a sua lei dê forma à consciência e aos costumes do homem moderno. A fé em Deus é a luz suprema da humanidade; e esta luz não só não deve apagar-se no coração dos homens, mas, pelo contrário, deve reacender-se por meio do estímulo que lhe vem da ciência e do progresso.

Este pensamento, que anima e estimula a Nossa oração, leva-Nos a pensar neste momento naqueles países: em que a liberdade religiosa está praticamente suprimida e onde se promove a negação de Deus, como se esta representasse a verdade dos tempos novos e a libertação dos povos. Mas, a verdade é bem diferente. Rezamos por esses países; rezamos pelos nossos irmãos crentes dessas nações, a fim de que a íntima força de Deus os sustente e a verdadeira liberdade civil lhes seja concedida.

E, assim, passamos à segunda intenção deste Nosso peregrinar, intenção que enche a Nossa alma: o mundo, a paz do mundo.

Sabeis como a consciência da missão da Igreja no mundo, missão de amor e de serviço, se tornou, no dia de hoje, depois do Concilio, bem vigilante e bem activa. Sabeis como o mundo se acha numa fase de grande transformação por causa do seu enorme e maravilhoso progresso, na consciência e na conquista das riquezas da terra e do universo. Mas, sabeis também e verificais que o mundo ,não é feliz nem está tranquilo. A primeira causa desta sua inquietação é a dificuldade que encontra em estabelecer a concórdia, em conseguir a paz. Tudo parece impelir o mundo para a fraternidade, para a unidade; no entanto, no seio da humanidade, descobrimos ainda tremendos e contínuos conflitos. Dois motivos principais tornam, por isso, grave esta situação histórica da humanidade: ela ,possui um grande arsenal de armas terrivelmente mortíferas, mas o progresso moral não iguala o progresso científico e técnico. Além disso, grande parte da humanidade encontra-se ainda em estado de indigência e de fome, ao mesmo tempo que nela se acha tão desperta a consciência inquieta das suas necessidades e do bem-estar dos outros. É por este motivo que dizemos estar o mundo em perigo. Por este motivo, viemos Nós aos pés da Rainha da paz a pedir-lhe a paz, dom que só Deus pode dar.

Sim, a paz é dom de Deus, que supõe a intervenção de uma acção do mesmo Deus, acção extremamente boa, misericordiosa e misteriosa. Mas, nem sempre é dom miraculoso; é dom que opera os seus prodígios no segredo dos corações dos homens; dom que, por isso, tem necessidade da livre aceitação, depois de se ter dirigido ao céu, dirige-se aos homens de todo o mundo: Homens, dizemos neste momento singular, procurai ser dignos do dom divino da paz. Homens, sede homens. Homens, sede bons, sede cordatos, abri-vos à consideração do bem total do mundo. Homens, sede magnânimos. Homens, procurai ver o vosso prestígio e o vosso interesse não como contrários ao prestígio e ao interesse dos outros, mas como solidários com eles. Homens, não penseis em projectos de destruição e de morte, de revolução e de violência; pensai em projectos de conforto comum e de colaboração solidária. Homens, pensai na gravidade e na grandeza desta hora, que pode ser decisiva para a história da geração presente e futura; e recomeçai a aproximar-vos uns dos outros com intenções de construir um mundo novo; sim, um mundo de homens verdadeiros, o qual é impossível de conseguir se não tem o sol de Deus no seu horizonte. Homens, escutai, através da Nossa humilde e trémula voz, o eco vigoroso da Palavra de Cristo: « Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra, bem aventurados os pacíficos, porque serão chamados fìlhos de Deus ».

Vede, Filhos e Irmãos, que aqui Nos escutais, corno o quadro do mundo e dos seus destinos se apresenta aqui imenso e dramático. É o quadro que Nossa Senhora abre aos Nossos olhos, o quadro que contemplamos com os olhos aterrorizados, mas sempre confiantes; o quadro do qual Nos aproximaremos sempre - assim o prometemos - seguindo a admoestação que a própria Nossa Senhora nos deu: a da oração e da penitência; e, por isso, queira Deus que este quadro do mundo nunca mais venha a registar lutas, tragédia e catástrofes, mas sim as conquistas do amor e as vitórias da paz."

Papa Paul VI's speech to Members of the Diplomatic Corps 
Saturday 13 May 1967 - in FrenchItalian & Spanish  

"Nous désirons adresser un salut respectueux et cordial aux Membres du Corps Diplomatique accrédité auprès de la République Portugaise.

Nous sommes très sensible, Messieurs, à votre présence en ce lieu, et à l’hommage que vous avez voulu rendre ainsi à l’Eglise en Notre humble personne.

Vous manifestez, par ce geste de délicate courtoisie, votre assentiment à la démarche que Nous accomplissons en ce jour. Vous montrez que vous en appréciez le sens et la portée.

Nous sommes venu ici en pèlerin, Nous y sommes venu pour prier, pour implorer de la divine miséricorde le don de la paix, après laquelle soupirent si ardemment les hommes de notre temps. Non certes n’importe quelle paix: mais celle que Nous appelions de Nos vœux dans Notre récente encyclique Populorum progressio, et qui repose sur les quatre bases si heureusement définies par Notre grand prédécesseur Jean XXIII dans un document justement célèbre, et qui sont la vérité, la justice, l’amour et la liberté.

Vous pourrez, mieux que d’autres, peut-être, et avec plus d’autorité, attester, Messieurs, le caractère purement religieux de ce pèlerinage. D’avance Nous vous en disons Notre reconnaissance.

En vos personnes, Nous saluons également vos Gouvernements et les Nations dont vous êtes les dignes représentants. Et en invoquant sur elles, sur vous-mêmes et sur vos familles, la divine assistance, Nous aimons à renouveler le souhait que Nous formions au terme de Notre encyclique: puisse la grande famille humaine progresser dans les voies de la fraternité et de la paix et attirer toujours davantage sur elle les bénédictions du Dieu tout-puissant!"

Discours du Pape St Paul VI aux Représentants des Communautés Chrétiennes non Catholiques
samedi 13 mai 1967 - in French

"Frères chrétiens,
Nous sommes heureux de vous saluer ici au cours de ce rapide pèlerinage. Nous sommes venu à Fatima pour vénérer la mère du Christ, celle dont Elisabeth a déclaré: «Tu es bénie entre les femmes et le fruit de ton sein est béni».

Nous pouvons ensemble trouver dans la Vierge telle que le Nouveau Testament nous la présente le modèle de notre foi et de notre humilité. Marie est celle qui a cru: «Je suis la servante du Seigneur, qu’il me soit fait selon ta parole». Elle croit et en même temps elle se déclare servante. Croyant en Celui à qui rien n’est impossible, Marie s’efface devant Lui et se met humblement au service du mystère du salut.

Dans l’état actuel des divisions chrétiennes, il ne vous est pas possible, Frères, de partager toutes nos convictions sur Marie. Mais néanmoins nous avons en commun ce modèle de foi et d’humilité, que nous devons traduire à notre tour dans nos propres vies au service du Seigneur. Et nous pouvons légitimement espérer, avec la grâce du Seigneur, que ce service commun nous rapprochera les uns des autres.

Nous nous associons dès lors de plein cœur au chant de joie et de reconnaissance de Marie, Mère de Dieu: «Mon âme magnifie le Seigneur et exulte en Dieu mon salut .. il a fait en moi de grandes choses .. sa miséricorde s’étend d’âge en âge pour ceux qui le craignent».

Agréez, chers et vénérés Frères, nos vœux les meilleurs et veuillez partager notre désir et notre espoir que nous puissions un jour célébrer l’intégration parfaite dans la même foi et dans la même charité de tous ceux qui s’honorent du nom chrétien."

Papa Santo Paolo VI aos Membros do Episcopado Português
Sábado, 13 de Maio de 1967 - in Portuguese

"Senhor Cardeal Legado, Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa,
Senhores Bispos de Portugal continental, insular e ultramarino,
Nesta Nossa brevíssima estada em terra portuguesa, não podemos deixar de dirigir uma palavra de especial e afectuosa saudação aos membros todos do Episcopado português, aqui reunido.

Desejamos, em primeiro lugar, agradecer o vosso amável e, ao mesmo tempo, irrecusável convite a que tomássemos parte, pessoalmente, em Fátima, nestas solenes celebrações. Cá estamos, com a alma a vibrar de júbilo e de emoção. Somos também um peregrino de Fátima. Viemos de Roma para elevar, na Cova da Iria, a Nossa ardente súplica pela paz da Igreja e do mundo.

Queremos, em segundo lugar, manifestar sinceramente o Nosso reconhecimento pela obra de fecundo apostolado que estais a realizar nas vossas dioceses e também encorajar a vossa solicitude pastoral a traduzir em termos, de vida a doutrina inculcada pelo recente Concilio Ecuménico para que, segundo as suas sábias directrizes, a renovação espiritual, que todos nós almejamos, se faça sentir abundante neste abençoado País que se orgulha do nome de «Nação fidelíssima» e de «Terra de Santa Maria».

É com profunda alegria que, neste momento e neste lugar bendito, abrimos o Nosso coração nesta confidência para assegurar-vos que estamos ao vosso lado, com a Nossa solicitude de Pastor universal e com o Nosso amor de Pai comum, em tudo aquilo que empreendeis, em união connosco, para o bem espiritual do povo que vos foi confiado e de toda a Igreja de Deus.

Ajude-vos sempre, com a sua inefável protecção, Aquela cujas glórias estamos juntos a celebrar e cuja dulcíssimo nome trazemos com amor nos lábios e nos corações. Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós."

Santo Paolo VI aos Representantes do Laicado Católico de Portugal
Sábado, 13 de Maio de 1967 - in Portuguese

"Filhos caríssimos,
Cá estamos, em vosso meio, para dirigir também a vós a Nossa palavra de saudação, de reconhecimento e de encorajamento.

De saudação, porque sois os representantes do Laicado católico de Portugal, consagrados como estais à causa da Igreja, nas vossas organizações.

De reconhecimento, porque trabalhais com grande entusiasmo e generosidade na obra de cristianização profunda dos mais diversos ambientes em que viveis e em que exerceis as vossas profissões.

De encorajamento, porque esta é a hora dos Leigos. O Concílio Ecuménico vos chama a concorrer, como membros vivos do Corpo místico de Cristo, para o crescimento da Igreja e sua contínua santificação. Sois especialmente convidados a tornar a Igreja presente e activa naqueles locais e circunstâncias em que só por vosso meio ela pode ser o sal da terra.

Dedicai-vos, pois, dilectos Filhos do Laicado católico de Portugal, com espírito de fidelidade, de colaboração e de amor, sob a orientação dos vossos queridos Pastores, à realização perfeita da vossa vocação na Igreja, oferecendo-lhe, com a generosidade que vos caracteriza, o contributo de um testemunho de vida exemplar e de um intenso apostolado. Nossa Senhora de Fátima vos abençoe."

Discurso do Papa Paolo VI na Cerimónia de Despedida
Sábado, 13 de Maio de 1967 - in Portuguese

"Chegou para Nós o momento da partida.
É com saudade que vamos deixar a acolhedora terra portuguesa, depois desta breve, mas inesquecível peregrinação.

A lembrança consoladora deste dia permanecerá em Nós para sempre. Nele Nos foi dado participar pessoalmente nas solenes celebrações que em Fátima tiveram lugar, em honra da excelsa Mãe de Deus.

Viemos como peregrino para rezar humilde e fervorosamente pela paz da Igreja e pela paz do mundo.

Maria Santíssima que, nesta terra abençoada, desde há cinquenta anos, se tem mostrado tão generosa para com todos aqueles que a Ela recorrem com devoção, digne-se ouvir a Nossa ardente prece, concedendo à Igreja aquela renovação espiritual que o Concilio Ecuménico Vaticano Segundo teve em vista empreender e à humanidade, aquela paz de que ela hoje se mostra tão desejosa e necessitada.

Neste momento de despedida, o Nosso pensamento se volta, de modo particular para o Episcopado português, cuja irrecusável convite Nos levou a fazer a peregrinação que estamos agora para encerrar.

Ao Senhor Cardeal Dom José da Costa Nunes, Nosso Legado «a latere»; ao Senhor Cardeal Dom Manuel Gonçalves Cerejeira, Patriarca de Lisboa; ao Senhor Dom João Pereira Venâncio, Bispo de Leiria, a cuja jurisdição Fátima pertence; a todos os Senhores Bispos de Portugal continental, insular e ultramarino, a Nossa palavra fraterna de encorajamento e de bênção para as generosas canseiras do seu ministério apostólico.

Sentimos também ser Nosso dever manifestar publicamente a Nossa mais sincera gratidão e o Nosso mais profundo reconhecimento às Autoridades civis por terem facilitado a perfeita realização do Nosso propósito de vir a Fátima rezar pela paz.

A Nossa palavra dirige-se, por fim, ao Clero que, com tanta generosidade, se dedica ao ministério pastoral; aos Religiosos e Religiosas que, nas suas múltiplas iniciativas de oração e de apostolado, oferecem um precioso contributo à obra da Igreja; aos Missionários que, seguindo o exemplo fecundo daqueles que os precederam no passado, partiram para anunciar am boa nova do Evangelho as regiões mais remotas desta grande Nação; a todo o Povo fiel que venera com tanta devoção e invoca com tanto fervor o doce nome de Maria.

Nossa Senhora de Fátima vos assista. Nossa Senhora de Fátima vos proteja. Nossa Senhora de Fátima vos abençoe."